Tradução – Eduardo Miranda

Léon Augustin Lhermitte ~ La Fenaison à la ferme de Rue Chailly
Célia de Freiné é uma poeta, dramaturga e roteirista irlandesa que escreve em Irlandês e em Inglês. Ela nasceu em Newtownards, County Down e se mudou para Dublin ainda criança, mas manteve fortes ligações com a Irlanda do Norte. Célia passou a maior parte de seus verões com sua família em Donaghadee. Ela agora divide seu tempo entre Dublin e Connemara.

Línguamãe
por Celia de Fréine

Quando a língua da montanha
foi proscrita, os homens
foram agrupados e aferroados.

Além de suas tarefas normais,
as mulheres
agora tinham que salvar a colheita.

Máthairtheanga
ag Celia de Fréine

An lá ar coscadh teanga an tsléibhe
cluicheadh fir na háite
is ceanglaíodh laincisí orthu.

I dteannta a ngnáthchúraimí
fágadh faoi na mná
an fómhar a bhaint.

[ in The New Irish Poets, edited by Selina Guinness, Bloodaxe Books Ltd, UK, 2004 ]

Foreign Words – João Cabral de Melo Neto

Ilustração extraída do desenho animado “Morte e Vida Severina”, versão audiovisual da obra prima de João Cabral de Melo Neto, adaptada para os quadrinhos pelo cartuinista Miguel Falcão (assista aqui).

Death & Life Severina
by Eduardo Miranda
extracted from the book Morte e Vida Severina, 1966

This grave where you are,
measured by strife
is the smallest share
you’ve got in life.

Neither wide nor profound,
good size, but still bridled,
this is the piece of ground
to which you are entitled.

It’s not a big grave,
but measured and spared,
the land which you craved
one day to see shared.

It is a big grave
for your poor soul
and you’ll be more safe
then you were in the world.

Vida e Morte Severina
extraído de Morte e Vida Severina

Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a cota menor
que tiraste em vida.

É de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
neste latifúndio.

Não é cova grande.
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida.

É uma cova grande
para teu pouco defunto,
mas estarás mais ancho
que estavas no mundo.